VÍDEO: Após 5 dias na lama, Luisa Mell e equipe resgatam bovino em Brumadinho

Depois de encontrar porteiras fechadas, recusas por parte das autoridades e a notícia do fuzilamento de animais em Brumadinho, Luisa Mell e a equipe de voluntários do seu instituto conseguiram um grandioso feito: resgatar o primeiro animal de grande porte que se tem notícia desde que as operações de resgate foram anunciadas na região atingida pelo rompimento da barragem da Vale, na última sexta-feira (25).

LUISA MELL: “TANTOS ANIMAIS SOFRENDO E ESTOU IMPEDIDA DE AJUDAR”

O animal foi içado de helicóptero do meio da lama em que estava ilhado e levado de caminhão para uma chácara na região. Ele passará por exames para verificar eventuais fraturas e intoxicações pelos metais pesados da barragem. Luisa mostrou interesse em adotar o animal que sofreu por mais de 96 horas em meio ao esquecimento e mar de lama contaminada que ficou sujeito.

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Mais tarde, Luisa e a equipe tentavam resgatar outro animal de grande porte atolado nos rejeitos. Com ajuda do Corpo de Bombeiros, a equipe de voluntários conseguiu retirar o animal, que aparentava estar debilitado. Com o anoitecer, a operação precisou ser encerrada assim que o bovino conseguiu ter seu corpo desatolado e será retomada na quarta-feira (30), com previsão para ser içado pela manhã.

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Hoje, após muita agonia, os voluntários encontraram um final feliz para ao menos uma das incontáveis vítimas desse crime socioambiental. Mais uma vida salva pela empatia e dedicação de um time de heróis. 💚

Assista ao vídeo produzido pelo Boletim Vegano sobre o resgate:

Primeiro resgate de bovino em Brumadinho. (Fotos: Reprodução/Luisa Mell)


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Luisa Mell em Brumadinho: “Tantos animais sofrendo e estou impedida de ajudar”

São longos os dias para os voluntários independentes e de Organizações Não Governamentais que se dispuseram a tentar salvar vidas de animais em meio à lama contaminada dos rejeitos da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Por lá, ninguém fala em tragédia ou acidente como sumário do que aconteceu. O coro é um só: foi crime. Crime contra a humanidade e o meio ambiente.

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Estão em Feijão profissionais experientes, que inclusive atuaram em Mariana, quando a barragem da Samarco (empresa controlada pela Vale) se rompeu em 2015, matando não apenas 18 pessoas, mas um número incalculado de animais e o Rio Doce também. É taxado como o maior desastre ambiental do país. Mas repete-se o coro: não foi acidente, foi crime. E Brumadinho já mostra que, ao menos em número de vidas humanas, deve facilmente ganhar o título nada honroso que a Vale deixou para a cidade mineira.

Os voluntários em Brumadinho tentam entrar na chamada “área quente” para iniciar as operações de resgate dos animais, é lá que o mar de lama com rejeitos devastou a região, também é o local em que os bombeiros buscam por vítimas humanas. Mas a prioridade, segundo as autoridades, é encontrar os corpos das vítimas, já que as chances de resgatar sobreviventes é remota. Dividindo a tragédia humanitária, estão as outras vítimas do ecocídio cometido em Feijão, onde muitos animais vivos, porém debilitados, enfrentaram quatro dias de exaustão em resistência, mas não podem ser resgatados pelo impedimento de jurisprudência e bloqueios de acesso deixados pela Vale e autoridades locais.

Voluntários tentam resgatar vaca atolada nos rejeitos em Brumadinho. Sem sucesso, o animal foi eutanasiado no local. (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)

A ativista e protetora dos animais, Luisa Mell, chegou a Brumadinho na manhã de segunda-feira (28). Os profissionais do seu instituto já estavam lá desde o fim de semana tentando resgatar um touro que se encontra atolado em uma das extremidades percorridas pela lama. Para surpresa de todos, eles encontraram tapumes que impediam o acesso e visão dos voluntários para a região devastada, onde estão vítimas humanas e animais vivos que pedem por socorro. Eles denunciam que a própria Vale ergueu os tapumes para impedir os trabalhos de voluntários.

Luisa agendou um sobrevoo com helicóptero mais cedo para tentar mapear a área, mas o mesmo foi cancelado por motivos não esclarecidos, segundo a ativista. As tentativas de resgatar com vida vacas, bois, touros, cachorros, macacos e outros animais presos aos rejeitos endurecidos pelo Sol após mais de 90 horas do rompimento da barragem vão ficando cada vez mais escassas conforme as horas vão passando. Uma autoridade joga a culpa para a outra. Literalmente, com as portas das estradas fechadas, Luisa e os demais voluntários entram em desespero por não ser possível realizar o que pretendiam desde o primeiro minuto em que chegaram em Feijão.

“Estou arrasada. Me frustra saber que não consigo fazer o meu trabalho. Tantos animais sofrendo e eu aqui do lado deles impedida de ajudar. Mas amanhã vou conseguir”, disse Luisa em entrevista para o Boletim Vegano.

Como se não bastasse a angústia de não poder atuar em campo e com o vai e vem de autorizações e negações recebidas pelo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e da própria Vale, a equipe de voluntários precisou comprar tapumes para poder chegar até um dos animais atolados, já que a lama impossibilita que eles andem. Luisa questiona em seu Instagram o paradeiro dos animais já resgatados pelas equipes. Até o momento, é informado apenas que 12 cachorros foram resgatados no domingo, os que estão em estado mais grave foram levados para clínicas veterinárias em Belo Horizonte, os demais estão em uma clínica improvisada instalada em uma casa ali mesmo, em Córrego do Feijão.

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Oficialmente, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais não informa mais detalhes sobre o paradeiro das vítimas e como está ocorrendo o trabalho em conjunto com a Vale para resgatar os animais que ainda estão presos nos rejeitos. São duas equipes em campo, uma de profissionais voluntários e outra montada pela Vale, após liminar deferida pelo Ministério Público do estado que obrigou a empresa a montar planos de resgate dos animais que foram vítimas do rompimento da barragem.

“Eu fico olhando toda essa devastação e fico me perguntando quando as pessoas vão entender que nada é mais importante que o meio ambiente. O meio ambiente é o ar que a gente respira, é a água que a gente bebe, é a comida que a gente come. O que pode ser mais importante que isso?”, questiona a ativista.

Em dezembro de 2018, o Superintendente do Ibama em Minas Gerais, Julio Cesar Dutra Grillo, fez uma alerta para as autoridades ao afirmar que mais de 300 barragens apresentavam riscos e foram enquadradas como inseguras no estado. Voto vencido. A reunião no final do ano passado terminou com a aprovação do licenciamento de forma acelerada para as operações da Mina Córrego do Feijão, onde, até agora, 65 pessoas morreram, 279 estão desaparecidas e incontáveis animais que esperam a compaixão das autoridades em permitir o trabalho de profissionais como Luisa Mell, que não apenas fazem algo de fato pelas vítimas invisíveis em Brumadinho, mas que dividem também parte da dor dos inocentes.

Vítima presa aos rejeitos aguarda resgate em Brumadinho. (Foto: Reprodução/AFP)

IMAGENS: PROTESTOS COM LAMA EM ENDEREÇOS DA VALE NO RIO E EM SP

É falsa a notícia de boi resgatado por militares israelenses em Brumadinho; animais continuam presos

Ao longo do dia, uma imagem circula nas redes que mostra um helicóptero com militares israelenses realizando a operação de resgate de um boi em meio à lama com rejeitos da barragem que se rompeu em Brumadinho, na última sexta-feira (25). A notícia é falsa.

FAKE NEWS: ANIMAIS NÃO FORAM ABATIDOS A TIROS

IMAGENS: PROTESTOS EM SP E NO RIO NOS ENDEREÇOS DA VALE

O animal continua no local sem poder ser resgatado devido às condições precárias da área, mas ativistas que estão na região falam em descaso por parte da Vale, denunciando que a empresa tenta impedir com tapumes e portões fechados nas estradas o acesso dos voluntários para resgatar os animais que ainda estão vivos.

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A Vale não se pronunciou sobre o assunto até o momento. A protetora dos animais Luisa Mell passou o dia no local e, sem sucesso, tentou o resgate de um touro que está ilhado na região afetada pelos rejeitos.

CASEIRO ARRISCA VIDA PARA SALVAR GALINHAS NA LAMA

Luisa Mell e ativistas flagram cenas de crueldade em abatedouro de porcos em SP

Ativistas pelos direitos dos animais realizaram uma ação em um abatedouro de porcos em Carapicuíba, Grande São Paulo, e flagraram imagens perturbadoras de maus-tratos e extrema violência contra os animais que são vítimas da indústria pecuária. Nas filmagens e captação de áudios, é possível ouvir os gritos das vítimas, que estavam amontoadas dentro do veículo de transportes.

Por volta das 3:30 de sábado (19), alguns representantes de Organizações Não-Governamentais e protetores dos animais, como Luisa Mell e Beatriz Silva, chegaram à entrada do Frigorífico Rajá. Ainda do lado de fora, era possível ouvir os gritos dos animais que estavam dentro de um caminhão que ingressou um pouco antes dos ativistas no local. Segundo os presentes, os funcionários estavam agredindo os porcos para saírem do veículo, uma prática comum.

Segundo informações disponibilizadas pela Prefeitura de Carapicuíba e por serviços de informação, o abatedouro Rajá se encontra em região de perímetro urbano, na Avenida Francisco Pignatari, o que é proibido por lei, denunciam ativistas. Aos prantos, as pessoas ofereciam água aos animais que apresentavam sinais de sede. É possível ver nos vídeos alguns porcos sangrando.

Em 2015, um grave acidente no Rodoanel, em São Paulo, deixou dezenas de animais mortos após a carreta que transportava porcos do abatedouro Rajá tombar na rodovia. Alguns sobreviventes foram resgatados e adotados por um Santuário em São Roque, interior de São Paulo.

Ativistas em frente ao Frigorífico Rajá, em Carapicuíba. (Foto: Reprodução/Luisa Mell)

Luisa Mell é ameaçada por pecuaristas e responde: “A causa animal é muito maior do que eu”

A ativista e protetora dos animais Luisa Mell foi ameaçada publicamente em suas redes sociais por Ana Paula Sales Cunha, esposa do presidente de uma das maiores empresas de exportação de animais do Brasil, a AgroExport, administrada por Silvio Castro Cunha Junior.

No Instagram, Ana Paula respondeu a uma postagem de Luisa Mell com ameaças à protetora e sua família “Fica calada sua trouxa, você está expondo a sua família desnecessariamente com suas invenções e mentiras! O mundo agro está todo contra você, se prepare…”

Minutos depois de compartilhar a ameça, a ativista pelos direitos dos animais respondeu com outra postagem, afirmando que já registrou a denúncia na Polícia e defendendo a luta pela causa animal.

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Comecei a receber sérias ameaças a mim e a minha família! Logo descobri que a senhora que me difama em redes sociais e faz graves ameaças a mim é a senhora Ana Paula Sales Cunha, esposa do presidente de uma das maiores empresa… adivinhem de que? De exportação de carga viva, aAgroExport, o senhor Silvio Castro Cunha Junior! A polícia já está avisada. Qlq coisa q acontecer comigo ou com alguém da minha família a senhora @anapaulasalescunha Será a principal suspeita! Este triste episódio demonstra o tipo de conduta destas pessoas que exploram e maltratam os animais! Quem é cruel com animais, tb pode ser c seres humanos! O curioso é q ela afirma em uma das postagens que o presidente da casa @cauemacris n vai colocar o PL 31 em votação nunca! O q me parece suspeito, n acham? Aos senhores do agronegócio… a causa animal é muito maior do que a Luisa Mell! As pessoas n estão lutando por minha causa… e sim por amor aos animais! Valor q parece difícil de entender para esta senhora! #govegan #aprovaPL31

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A protetora luta há semanas junto com outros ativistas na Assembleia Legislativa de São Paulo pela aprovação do Projeto de Lei nº 31, que proíbe a exportação de animais vivos no estado de São Paulo. Políticos aliados à pecuaristas obstruem e tentam tirar de pauta o PL31 na Casa.

Até o momento, Ana Paula Sales Cunha e nem o marido se pronunciaram a respeito das ameças feitas à ativista. Segundo relatos, outras ativistas presentes nas sessões que tentaram pautar o PL31 na ALESP também foram ameaçadas.