Cozinheira vegana quer ajudar vítimas na costa africana com feijoada solidária

No centro de São Paulo, dentro de uma galeria comercial na Rua da Consolação, uma senhora com avental e rede protetora nos cabelos está de costas para o balcão. Ela coloca um prato de comida para esquentar e se locomove para preparar um suco no ambiente não muito grande de onde fica a cozinha da TOYA Vegan. O espaço gastronômico vegano aberto pela Dona Selma em 2018 é conhecido pela boa comida e pelos preços baixos.

A trajetória foi longa até conseguir alugar o estabelecimento em um ponto bem localizado, perto de duas estações do metrô e de locais turísticos da cidade, como o Theatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade. Muitas vezes, a cozinheira precisou dormir em um colchão guardado na loja para conseguir ter tempo de preparar as encomendas e os pratos do dia no restaurante, já que mora distante do comércio e levaria muito tempo no transporte.

A resistência feminina

Preocupada em poder oferecer pratos ao menor preço que consegue, sem diminuir a qualidade, a cozinheira se equilibra como pode para pagar o aluguel, os funcionários e todas as contas do estabelecimento. Nem sempre dá. Assim como em muitas famílias brasileiras, tem dias que ela tira de um lugar para colocar em outro. Mas ela detesta imaginar em mexer no valor do PF (prato feito) novamente, que hoje custa entre R$ 12,00 e R$ 15,00. Valor às vezes mais barato que muitos pratos executivos não-veganos vendidos na região.

Selma é uma mulher negra e da periferia, sua luta não é a mesma que a de outras empreendedoras que seguem passos parecidos, mas que não precisaram passar por obstáculos sociopolíticos de uma sociedade com preconceito enraizado e severas desigualdades. Ela sabe que outras mulheres negras ainda passam por isso todos os dias, que precisam enfrentar o racismo estrutural.

Tragédia na costa africana

Em março deste ano, ela soube da catástrofe que atingiu a costa sudoete africana, quando o ciclone Idai devastou Moçambique, Zimbabué e Malaui com ventos de cerca de 200 km/h. Mais de 800 mortos e 3 milhões de pessoas atingidas pela tragédia. As terríveis inundações fizeram a cólera se proliferar.

Sensível à dor africana, Selma se juntou ao colega da hamburgueria vegana Salad Days, e juntos decidiram fazer uma ação para arrecadar verbas para os afetados pela tragédia natural. No próximo sábado (6), ela vai cozinhar bastante feijoada vegana para os seus clientes e doará o valor arrecadado para os Médicos Sem Fronteiras ajudarem os atingidos na África.

A parceria entre TOYA Vegan e Salad Days. (Foto: Reprodução/Instagram)

Veganismo é ato político

A mesma Selma que dorme no chão da loja e coloca pratos a preço popular, mesmo estando quase no vermelho, também arranja tempo para estender as mãos para quem tanto precisa hoje. Ela faz mais pelo veganismo que muitos influenciadores digitais que esbanjam propagandas de produtos de alto valor no Instagram. O veganismo da cozinheira é aquele que não fecha os olhos para outras injustiças e desigualdades.

Se você for de São Paulo, precisa dar um jeito de ir até a lanchonete dela no próximo sábado. Ver as panelas da TOYA vazias, um largo sorriso no rosto da Selminha e a solidariedade se espalhar pela causa animal”Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras” Angela Davis

FEIJOADA DA DONA SELMA

Quando: Sábado, 06 de abril, das 12h às 17h.

Local: TOYA Vegan, em São Paulo – Rua da Consolação, 331 – Loja 6, próximo à Biblioteca Mário de Andrade. Entre as estações Higienópolis-Mackenzie (Linha Amarela) e Anhangabaú (Linha Vermelha).

Valor: R$ 25,00. Aceita débito e crédito.

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The Boinas: A primeira churreria vegana do Brasil é um delírio de sabores

Eu estou muito feliz por ver essa dupla de Campinas conseguir abrir um ponto fixo na maior cidade gastronômica do país. Entrei pela primeira vez no espaço feito com muito carinho por eles e estava tocando Liniker, só aí já me conquistaram.

Claro, não foi apenas por isso. Conheci os dois há um ano, no mesmo bairro, e posso dizer que, em primeiro lugar, eles me cativaram pela indescritível energia que transmitem para cada pessoinha que atendem. Os sorrisos e a entrega em mostrar um trabalho tão lindo é de aquecer a alma.

Caroline e Thiago idealizaram a The Boinas, a primeira churreria vegana do Brasil. No cardápio, salgados saborosos, bolos de cair o queixo, chocolate quente com calda especial, frappuccino que não deixa nada a desejar para a Starbucks e muito amor envolvido.

O ambiente galáctico é a cara do projeto que começou com um carrinho de churros que subiu e desceu as ruas de São Paulo e Campinas muitas vezes. À meia-luz, com plantinhas nas mesas e paredes com constelações pintadas por eles, o espaço nos leva à uma viagem para um cantinho afetivo da nossa memória e coração. Não dá vontade de sair de lá.

Na correria com o estabelecimento funcionando há apenas alguns dias, eles já estão lotados de clientes que certamente fazem aquele “huuuuum, isso é bom mesmo”. Não basta ser gostoso, a gente sente da calçada o cheirinho do açúcar com canela e todo esse amor e dedicação.

A dupla conta que, em breve, deve abrir o segundo andar do local para unir atrações culturais, rodas de conversas e expositores para ocuparem a casa com boas atrações e mais plantinhas. A ideia é deixar uma casa com dois ambientes, conectados pelo sabor inconfundível do churros cósmico.

Já sabe o programa para o fim de semana, né? Passa lá na Rua Cardeal Arcoverde, 1761, em Pinheiros (diversas linhas de ônibus na rua e estação do metrô mais próxima há menos de 100 metros – na Fradique Coutinho). Aberto de sexta à domingo, das 14h às 20h.

Boa sorte, The Boinas! 💜

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