Feira vegana feita só por mulheres acontece em São Paulo

Idealizada pela fotógrafa e ativista pelos direitos dos animais, Nicole Zabukas, a feira acontece neste domingo (7) no espaço Creuza Cultural, que fica na Rua Raul Pompéia, 547, no bairro da Vila Pompéia, em São Paulo. Acompanhe pelo Instagram do evento.


Das expositoras até a equipe de segurança do espaço, tudo foi pensado para que mulheres ocupassem o evento. A representatividade é fundamental, mas vai muito além disso. A autogestão feminina e a batalha por concorrer com outras feiras que já possuem poder aquisitivo e influência comercial, fazem da Feira das Vegs um espaço indispensável para se inspirar e somar com a causa.

Esse também é o caminho para o veganismo. A unidade de causas fortalece o movimento e faz crescer o debate sobre consumo e comércio já existente no meio. Nicole fala sobre importância do evento, que ultrapassa a questão comercial.

“Muito me angustia ver o poder do veganismo apenas no consumo. Veganismo é movimento social, é político. Na nossa realidade não conseguimos fugir do consumo, mas podemos dar outro sentido para isso. Além de consumir de mulheres que estão começando, quero que seja um ambiente para diálogos. Viver é um ato político, e espero que a feira consiga, dentro do possível, mostrar que veganismo precisa estar ligado à outras pautas sociais”, comenta a idealizadora.

FEIRA DAS VEGS

Quando: Hoje, domingo, 7 de abril, das 12h às 19h.

Onde: Rua Raul Pompéia, 547, no bairro da Vila Pompeia, em São Paulo.

Programação:

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Cozinheira vegana quer ajudar vítimas na costa africana com feijoada solidária

No centro de São Paulo, dentro de uma galeria comercial na Rua da Consolação, uma senhora com avental e rede protetora nos cabelos está de costas para o balcão. Ela coloca um prato de comida para esquentar e se locomove para preparar um suco no ambiente não muito grande de onde fica a cozinha da TOYA Vegan. O espaço gastronômico vegano aberto pela Dona Selma em 2018 é conhecido pela boa comida e pelos preços baixos.

A trajetória foi longa até conseguir alugar o estabelecimento em um ponto bem localizado, perto de duas estações do metrô e de locais turísticos da cidade, como o Theatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade. Muitas vezes, a cozinheira precisou dormir em um colchão guardado na loja para conseguir ter tempo de preparar as encomendas e os pratos do dia no restaurante, já que mora distante do comércio e levaria muito tempo no transporte.

A resistência feminina

Preocupada em poder oferecer pratos ao menor preço que consegue, sem diminuir a qualidade, a cozinheira se equilibra como pode para pagar o aluguel, os funcionários e todas as contas do estabelecimento. Nem sempre dá. Assim como em muitas famílias brasileiras, tem dias que ela tira de um lugar para colocar em outro. Mas ela detesta imaginar em mexer no valor do PF (prato feito) novamente, que hoje custa entre R$ 12,00 e R$ 15,00. Valor às vezes mais barato que muitos pratos executivos não-veganos vendidos na região.

Selma é uma mulher negra e da periferia, sua luta não é a mesma que a de outras empreendedoras que seguem passos parecidos, mas que não precisaram passar por obstáculos sociopolíticos de uma sociedade com preconceito enraizado e severas desigualdades. Ela sabe que outras mulheres negras ainda passam por isso todos os dias, que precisam enfrentar o racismo estrutural.

Tragédia na costa africana

Em março deste ano, ela soube da catástrofe que atingiu a costa sudoete africana, quando o ciclone Idai devastou Moçambique, Zimbabué e Malaui com ventos de cerca de 200 km/h. Mais de 800 mortos e 3 milhões de pessoas atingidas pela tragédia. As terríveis inundações fizeram a cólera se proliferar.

Sensível à dor africana, Selma se juntou ao colega da hamburgueria vegana Salad Days, e juntos decidiram fazer uma ação para arrecadar verbas para os afetados pela tragédia natural. No próximo sábado (6), ela vai cozinhar bastante feijoada vegana para os seus clientes e doará o valor arrecadado para os Médicos Sem Fronteiras ajudarem os atingidos na África.

A parceria entre TOYA Vegan e Salad Days. (Foto: Reprodução/Instagram)

Veganismo é ato político

A mesma Selma que dorme no chão da loja e coloca pratos a preço popular, mesmo estando quase no vermelho, também arranja tempo para estender as mãos para quem tanto precisa hoje. Ela faz mais pelo veganismo que muitos influenciadores digitais que esbanjam propagandas de produtos de alto valor no Instagram. O veganismo da cozinheira é aquele que não fecha os olhos para outras injustiças e desigualdades.

Se você for de São Paulo, precisa dar um jeito de ir até a lanchonete dela no próximo sábado. Ver as panelas da TOYA vazias, um largo sorriso no rosto da Selminha e a solidariedade se espalhar pela causa animal”Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras” Angela Davis

FEIJOADA DA DONA SELMA

Quando: Sábado, 06 de abril, das 12h às 17h.

Local: TOYA Vegan, em São Paulo – Rua da Consolação, 331 – Loja 6, próximo à Biblioteca Mário de Andrade. Entre as estações Higienópolis-Mackenzie (Linha Amarela) e Anhangabaú (Linha Vermelha).

Valor: R$ 25,00. Aceita débito e crédito.

Como a ditadura no Brasil explorou animais para torturar suas vítimas

Há 55 anos, o Brasil sofreu um golpe de Estado pelas próprias forças militares, apoiado pelo governo dos EUA e por importantes setores da sociedade brasileira, como o empresariado, a imprensa e ruralistas. Durante 21 anos, o país viveu graves violações aos direitos humanos, como as mortes e torturas de perseguidos políticos, a censura artística e intelectual e o agravamento da desigualdade e pobreza. Em 2011, a ex-presidenta Dilma Rousseff, uma das presas políticas torturadas pelo regime, sancionou a lei que criou a Comissão Nacional da Verdade (CNV), onde se investigou também as violações cometidas durante o período ditatorial no país.

Em Genebra, na Suíça, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha realizou um extenso acompanhamento histórico sobre o regime militar no Brasil, coletando relatos de ex-prisioneiros e fontes que aceitaram falar sobre como o Estado torturava suas vítimas. Nos anos 1970, a comissão tentou garantir os direitos humanos dos prisioneiros, mas foi impedida de visitar os presos pelas autoridades brasileiras. Sabia-se que as pessoas levadas para os Pelotões de Investigação Criminal (PIC) não tinham seus direitos assegurados, mas o cenário era imensamente mais grave do que os membros imaginavam.

A ditadura aplicava o método científico para atingir não a resistência física, apenas, mas também a integridade moral e psicológica das vítimas. Os prisioneiros eram categorizados por gravidade do caso e pelos interesses dos algozes em obter respostas mais rápidas. Em celas individuais ou coletivas, cada pessoa era acompanhada por cientistas que certificam o grau de resistências das vítimas, não preocupados com o limite da tortura, mas em como conseguiriam atingir melhor o objetivo em obter informações. Entendia-se que as sessões de tortura não eram aleatórias e nem tinham a intenção de causar óbito imediato, mas foram planejadas para extrair o máximo que conseguissem das vítimas.

Jacarés sobre o corpo nu

Em maio de 2013, durante sessão da CNV na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a historiadora Dulce Pandolfi contou as torturas vividas a partir de 20 de agosto de 1970, quando foi conduzida para o DOI-Codi pelas forças militares. Ela relata que foi cobaia de uma aula “prática” de como torturar os prisioneiros. Os métodos constituíam de choques elétricos enquanto estava amarrada em pau de arara, considerado um dos mais “eficazes” pelos agentes do Estado, mas também por agressões físicas e psicológicas com animais vivos.

“Durante os mais de três meses que fiquei no DOI-Codi, fui submetida a diversos tipos de tortura. Umas mais simples, como socos e pontapés, já outras mais grotescas, como ter um jacaré andando sobre o meu corpo nu”

Dulce Pandolfi, em relato para a Comissão da Verdade

A cobra Miriam

Em 1970, o tenente-coronel do Exército, Paulo Malhães, trouxe da região do Rio Araguaia cinco jacarés e uma jiboia de seis metros para o quartel onde funcionava o DOI-Codi, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, Rio de Janeiro. O torturador confesso, em entrevista ao jornal O Globo, em 2012, disse que levou os animais para aterrorizar os dissidentes políticos. Com o codinome de “Doutor Pablo” durante a repressão, ele foi acusado pelos sobreviventes de ser um dos mentores científicos das sessões de tortura no Rio.

O jornalista Danton Godinho ficou preso pelo regime entre 1969 e 1973, e conta que durante os 90 dias em que ficou encarcerado no PIC da Tijuca, foi obrigado a dividir a cela com a cobra Miriam, como foi apelidada pelo torturador Malhães. A jiboia capturada no Norte do país e levada para o Rio de Janeiro para ser explorada em graves sessões de tortura psicológica contra as vítimas humanas sofreu também com a mudança repentina de habitat e o estresse causado pelo enclausuramento.

“Eles chegaram com um isopor enorme, apagaram a luz e ligaram um som altíssimo. Percebi na hora que era uma cobra imensa. Irritada com a música, a cobra não parava de se mexer. O corpo dela, ao se deslocar, arranhou o meu; chegou a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer”

Danton Godinho, em relato para a CNV e para o jornal O Globo

Baratas presas por barbantes

A imensa dor sentida pelas vítimas humanas também representava extensa tortura para os animais, que eram colocados em situações de esgotamento físico e mental. A cineasta Lucia Murata conta que um de seus torturadores, conhecido pelo codinome “Gugu”, guardava baratas amarradas em barbantes em uma caixa para conseguir manipular os insetos sobre o corpo das vítimas. “Me puseram de novo no pau de arara. Mais espancamento, mais choque, mais água e dessa vez entraram as baratas. Puseram baratas passeando pelo meu corpo. Colocaram uma barata na minha vagina”, relembra a ex-prisioneira.

Os depoimentos das vítimas para a Comissão Nacional da Verdade também relataram o uso de cães para amedrontar os torturados. O latido do animal era sentido muito próximo aos ouvidos das vítimas, os dentes caninos ficavam rentes à pele humana. Camundongos e insetos eram lançados sobre as vítimas amarradas em cadeiras, sem que elas pudessem desviar. Mulheres foram estupradas e tiveram ratos inseridos em suas vaginas. Os animais ficavam presos e apenas serviam para causar humilhação, dor e traumas psicológicos nos torturados, mas acabaram também sendo vítimas da exploração feita pelo regime ditatorial.

Sacrifício religioso de animais: O veganismo não pode dar voz ao racismo institucional

Na última quinta-feira (28), o Supremo Tribunal Federal (STF) compreendeu a legalidade constitucional do sacrifício de animais em cultos religiosos. O tema é mais complexo do que simplesmente defender os direitos dos animais: é preciso ter noção do país em que vivemos antes de sair vociferando absurdos que abrem margem para o racismo e a intolerância religiosa que mata e persegue as raízes afro-brasileiras.

O Supremo julgou com base na diversidade de religiões, com enfoque sobre os cultos de matriz africana, que constantemente são vítimas de graves violações. O tribunal não julgou a ação refletindo sobre o valor da vida de cada animal. Para isso, seria necessário antes uma conversa bem longa com a agropecuária e debater profundamente sobre as tradições aceitas socialmente do Eurocentrismo religioso. Será que o animal só sente dor quando a mão que segura a faca vem do Candomblé ou do Xangô pernambucano?

Veganos: Nós entendemos que todas as vidas importam. É o beabá. Mas ninguém no tribunal compreende dessa forma porque ainda estão sob a ótica jurídica atual. Existem limitações quanto aos direitos dos animais, não temos uma bancada que defende a causa no Congresso Nacional. O que existe são bancadas conservadoras, como as da bala, do boi e da bíblia, essa última responsável por querer criminalizar religiões afro-brasileiras. O que estava em debate no STF não era o especismo com base no direito à vida do animal. O julgamento foi uma resposta à intolerância que persegue e mata as religiões de ancestralidade negra.

Uma pessoa vegana, consciente da intersecção política-social que o movimento engloba, não defende a morte de animais de forma alguma e não deve dar coro ao racismo expressado em uma ação como a que foi julgada pelo Supremo essa semana. A proposta, se fosse aprovada, permitiria a coerção, multa e prisão de praticantes de cultos religiosos afro-brasileiros. A ideia nunca foi defender os animais, mas usar a causa para embasar a perseguição contra o povo e a cultura negra no país.

A perseguição histórica da cultura negra no país usa movimentos sociais para criminalizar e aumentar a intolerância religiosa e cultural. (Foto: Reprodução/Diário Online do Pará)

No ativismo dentro de casa, você abordaria a sua mãe com tom coercitivo enquanto ela come um pedaço de carne? Para os mais próximos, é “preciso respeitar o tempo de cada um” e “entender que ela nunca ouviu falar a respeito do veganismo”. Para os praticantes, majoritariamente negros, das religiões afro-brasileiras, a polícia vai levar o ativismo com cassetete e arma em punhos. Dá para entender como é problemático deixar que o Estado, legitimado por leis racistas, tome voz das causas que o movimento vegano luta? Historicamente, sabemos que as leis são facilmente corrompidas com más intenções e interpretações.

Não-veganos: A sua crítica é direcionada a um só povo ou vale para todos? Não vejo foto de perfil ou cartaz levantado em protestos contra o sacrifício de aves para celebrar o aniversário de Jesus Cristo ou o abate kosher-judaico de vidas que também importam. E os peixes que morrem asfixiados na quaresma cristã? Por trás dessa cortina de indignação tem muito racismo institucional, ódio ao povo preto e inconformismo com culturas que são constantemente perseguidas.

E não é uma questão de opinião, simplesmente. Falar que o Candomblé mata animais por sadismo é não olhar para o altar da sua sala ou para o prato de comida na mesa da cozinha. Usar da ignorância incentivada pela intolerância que confunde propositalmente rituais de raízes africanas com a chamada “magia negra” (onde seu nome já carrega o teor racista perpetuado pela nossa sociedade) é um afronte à memória dos povos históricos e uma atitude leviana de quem não possui embasamento para debater o assunto. E precisamos debater o assunto de maneira séria.

Para entender melhor tudo isso, e com mais propriedade de fala, o Movimento Afro Vegano elaborou um texto explicativo sobre a RE 494601, e está disponível no Facebook neste link. A professora Paula Aparecida também se posicionou com um texto onde aborda o assunto com importantes fragmentos sociais. Disponível no Facebook neste link.

Ativistas de São Paulo alugam van para levar doações e resgatar animais em Brumadinho

Um grupo de voluntários de Osasco e de outras localidades da Grande São Paulo, iniciou viagem na noite desta quarta-feira (30) com uma van alugada para levar donativos arrecadados para as vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho, na última sexta-feira (25).

VÍDEO: APÓS 5 DIAS NA LAMA, LUISA MELL E EQUIPE RESGATAM BOVINO EM BRUMADINHO

Após realizar uma campanha na internet pedindo doações para as vítimas humanas e não humanas atingidas pelo desastre socioambiental na cidade mineira, Beatriz Silva, da ONG Bendita Adoção, junto com outros cinco voluntários, entre eles uma veterinária intensivista, encheu com água, alimentos, medicamentos humanos e veterinários, rações e equipamentos para resgate de animais uma van que teve o aluguel custeado pelas arrecadações de apoiadores da ONG.

LEIA+: PRF CONFIRMA QUE ANIMAIS FORAM EXECUTADOS A TIROS

Eles esperam poder ajudar a resgatar animais que foram abandonados por moradores da região que temem por novos rompimentos de barragens em Mina Córrego do Feijão. Segundo apuraram ativistas que estão no local, além dos animais de grande porte que ainda estão ilhados ou presos nos rejeitos, há muitos animais de pequeno e médio portes abandonados na região, muitos estão presos dentro de casa ou amarrados com cordas.

Com uma doação financeira do Colégio Ribeiro de Freitas, em Osasco, a equipe conseguiu custear o valor do aluguel da van e deve começar a realizar os trabalhos assim que chegar na região. Segundo o CRMV-MG, até quarta-feira (30), 36 animais já foram resgatados com ajuda de voluntários, profissionais veterinários e da equipe do Corpo de Bombeiros.

LEIA+: MP OBRIGA VALE A RESGATAR ANIMAIS EM BRUMADINHO

Equipe de voluntários segue viagem em uma van alugada para Brumadinho. (Foto: Reprodução/ONG Bendita Adoção)

LUISA MELL: “TANTOS ANIMAIS SOFRENDO E EU IMPEDIDA DE AJUDAR”

VÍDEO: Após 5 dias na lama, Luisa Mell e equipe resgatam bovino em Brumadinho

Depois de encontrar porteiras fechadas, recusas por parte das autoridades e a notícia do fuzilamento de animais em Brumadinho, Luisa Mell e a equipe de voluntários do seu instituto conseguiram um grandioso feito: resgatar o primeiro animal de grande porte que se tem notícia desde que as operações de resgate foram anunciadas na região atingida pelo rompimento da barragem da Vale, na última sexta-feira (25).

LUISA MELL: “TANTOS ANIMAIS SOFRENDO E ESTOU IMPEDIDA DE AJUDAR”

O animal foi içado de helicóptero do meio da lama em que estava ilhado e levado de caminhão para uma chácara na região. Ele passará por exames para verificar eventuais fraturas e intoxicações pelos metais pesados da barragem. Luisa mostrou interesse em adotar o animal que sofreu por mais de 96 horas em meio ao esquecimento e mar de lama contaminada que ficou sujeito.

CASEIRO VOLTA PARA RESGATAR GALINHAS QUE MORRERIAM NA LAMA EM BRUMADINHO

Mais tarde, Luisa e a equipe tentavam resgatar outro animal de grande porte atolado nos rejeitos. Com ajuda do Corpo de Bombeiros, a equipe de voluntários conseguiu retirar o animal, que aparentava estar debilitado. Com o anoitecer, a operação precisou ser encerrada assim que o bovino conseguiu ter seu corpo desatolado e será retomada na quarta-feira (30), com previsão para ser içado pela manhã.

A MORTE DO RIO PARAOPEBA: “JÁ TEM MUITOS PEIXES CHEGANDO À MARGEM PEDINDO SOCORRO”

Hoje, após muita agonia, os voluntários encontraram um final feliz para ao menos uma das incontáveis vítimas desse crime socioambiental. Mais uma vida salva pela empatia e dedicação de um time de heróis. 💚

Assista ao vídeo produzido pelo Boletim Vegano sobre o resgate:

Primeiro resgate de bovino em Brumadinho. (Fotos: Reprodução/Luisa Mell)


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URGENTE: PRF confirma que animais estão sendo abatidos a tiros em Brumadinho

O Boletim Vegano divulgou ontem (28) que as autoridades não confirmavam as execuções a tiros dos animais atolados em Brumadinho. Porém, nesta terça-feira (29), após mais denúncias de ativistas na região, a Polícia Rodoviária Federal admitiu que um helicóptero está executando a tiros os animais ilhados na lama de rejeitos.

LEIA+: “TANTOS ANIMAIS SOFRENDO E EU IMPEDIDA DE AJUDAR”, DIZ LUISA MELL

Enquanto alguns helicópteros vasculhavam a área atingida em busca de sobreviventes humanos, um outro sobrevoava bem baixo para atirar nos animais com cerca de cinco disparos. A PRF alega que uma veterinária do CRMV-MG coordenou a ação de execução dos animais desta maneira.

 “O procedimento de sacrifício (eutanásia) dos animais, objeto deste questionamento, foi realizado com o atendimento de todos os protocolos de segurança aplicáveis ao caso, a pedido e sob a coordenação de uma veterinária, integrante do Conselho de Veterinária de Minas Gerais e supervisionado pelo comando das operações de resgate”, disse um represente da PRF à VEJA.

IMAGENS: PROTESTOS COM LAMA NOS ENDEREÇOS DA VALE NO RIO E EM SP

A notícia revoltou os voluntários que estão no local e que pedem, caso os animais não consigam ser resgatados, que seja realizada a eutanásia de maneira digna, sem tamanha violência. Nas redes, defensores dos direitos dos animais estão revoltados com a forma escolhida pelas equipes para lidar com as vítimas não humanas.

“Essa não é a maneira correta de sacrificar um animal que já está com muito sofrimento. A única coisa que justifica é eles estarem querendo brincar de tiro ao alvo”, comentou a ativista Luisa Mell em suas redes.

Vítima ilhada nos rejeitos da barragem em Córrego do Feijão. (Foto: Reprodução/Facebook)

FAKE NEWS: BOI NÃO FOI RESGATADO POR MILITARES ISRAELENSES

Luisa Mell em Brumadinho: “Tantos animais sofrendo e estou impedida de ajudar”

São longos os dias para os voluntários independentes e de Organizações Não Governamentais que se dispuseram a tentar salvar vidas de animais em meio à lama contaminada dos rejeitos da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Por lá, ninguém fala em tragédia ou acidente como sumário do que aconteceu. O coro é um só: foi crime. Crime contra a humanidade e o meio ambiente.

URGENTE: PRF CONFIRMA QUE ANIMAIS ESTÃO SENDO ABATIDOS A TIROS EM BRUMADINHO

Estão em Feijão profissionais experientes, que inclusive atuaram em Mariana, quando a barragem da Samarco (empresa controlada pela Vale) se rompeu em 2015, matando não apenas 18 pessoas, mas um número incalculado de animais e o Rio Doce também. É taxado como o maior desastre ambiental do país. Mas repete-se o coro: não foi acidente, foi crime. E Brumadinho já mostra que, ao menos em número de vidas humanas, deve facilmente ganhar o título nada honroso que a Vale deixou para a cidade mineira.

Os voluntários em Brumadinho tentam entrar na chamada “área quente” para iniciar as operações de resgate dos animais, é lá que o mar de lama com rejeitos devastou a região, também é o local em que os bombeiros buscam por vítimas humanas. Mas a prioridade, segundo as autoridades, é encontrar os corpos das vítimas, já que as chances de resgatar sobreviventes é remota. Dividindo a tragédia humanitária, estão as outras vítimas do ecocídio cometido em Feijão, onde muitos animais vivos, porém debilitados, enfrentaram quatro dias de exaustão em resistência, mas não podem ser resgatados pelo impedimento de jurisprudência e bloqueios de acesso deixados pela Vale e autoridades locais.

Voluntários tentam resgatar vaca atolada nos rejeitos em Brumadinho. Sem sucesso, o animal foi eutanasiado no local. (Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo)

A ativista e protetora dos animais, Luisa Mell, chegou a Brumadinho na manhã de segunda-feira (28). Os profissionais do seu instituto já estavam lá desde o fim de semana tentando resgatar um touro que se encontra atolado em uma das extremidades percorridas pela lama. Para surpresa de todos, eles encontraram tapumes que impediam o acesso e visão dos voluntários para a região devastada, onde estão vítimas humanas e animais vivos que pedem por socorro. Eles denunciam que a própria Vale ergueu os tapumes para impedir os trabalhos de voluntários.

Luisa agendou um sobrevoo com helicóptero mais cedo para tentar mapear a área, mas o mesmo foi cancelado por motivos não esclarecidos, segundo a ativista. As tentativas de resgatar com vida vacas, bois, touros, cachorros, macacos e outros animais presos aos rejeitos endurecidos pelo Sol após mais de 90 horas do rompimento da barragem vão ficando cada vez mais escassas conforme as horas vão passando. Uma autoridade joga a culpa para a outra. Literalmente, com as portas das estradas fechadas, Luisa e os demais voluntários entram em desespero por não ser possível realizar o que pretendiam desde o primeiro minuto em que chegaram em Feijão.

“Estou arrasada. Me frustra saber que não consigo fazer o meu trabalho. Tantos animais sofrendo e eu aqui do lado deles impedida de ajudar. Mas amanhã vou conseguir”, disse Luisa em entrevista para o Boletim Vegano.

Como se não bastasse a angústia de não poder atuar em campo e com o vai e vem de autorizações e negações recebidas pelo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e da própria Vale, a equipe de voluntários precisou comprar tapumes para poder chegar até um dos animais atolados, já que a lama impossibilita que eles andem. Luisa questiona em seu Instagram o paradeiro dos animais já resgatados pelas equipes. Até o momento, é informado apenas que 12 cachorros foram resgatados no domingo, os que estão em estado mais grave foram levados para clínicas veterinárias em Belo Horizonte, os demais estão em uma clínica improvisada instalada em uma casa ali mesmo, em Córrego do Feijão.

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Oficialmente, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais não informa mais detalhes sobre o paradeiro das vítimas e como está ocorrendo o trabalho em conjunto com a Vale para resgatar os animais que ainda estão presos nos rejeitos. São duas equipes em campo, uma de profissionais voluntários e outra montada pela Vale, após liminar deferida pelo Ministério Público do estado que obrigou a empresa a montar planos de resgate dos animais que foram vítimas do rompimento da barragem.

“Eu fico olhando toda essa devastação e fico me perguntando quando as pessoas vão entender que nada é mais importante que o meio ambiente. O meio ambiente é o ar que a gente respira, é a água que a gente bebe, é a comida que a gente come. O que pode ser mais importante que isso?”, questiona a ativista.

Em dezembro de 2018, o Superintendente do Ibama em Minas Gerais, Julio Cesar Dutra Grillo, fez uma alerta para as autoridades ao afirmar que mais de 300 barragens apresentavam riscos e foram enquadradas como inseguras no estado. Voto vencido. A reunião no final do ano passado terminou com a aprovação do licenciamento de forma acelerada para as operações da Mina Córrego do Feijão, onde, até agora, 65 pessoas morreram, 279 estão desaparecidas e incontáveis animais que esperam a compaixão das autoridades em permitir o trabalho de profissionais como Luisa Mell, que não apenas fazem algo de fato pelas vítimas invisíveis em Brumadinho, mas que dividem também parte da dor dos inocentes.

Vítima presa aos rejeitos aguarda resgate em Brumadinho. (Foto: Reprodução/AFP)

IMAGENS: PROTESTOS COM LAMA EM ENDEREÇOS DA VALE NO RIO E EM SP

Manifestantes realizam atos com lama e indignação nos endereços da Vale no Rio e SP; veja imagens

Manifestantes realizaram dois atos em frente às sedes da Vale em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (28), eles alegam que o rompimento da barragem em Brumadinho não foi acidente, foi crime socioambiental. No mesmo dia, a companhia anunciou que doará R$100 mil para as famílias de vítimas.

FAKE NEWS: BOI NÃO FOI RESGATADO POR EXÉRCITO ISRAELENSE

LEIA +: MP OBRIGA VALE A RESGATAR ANIMAIS EM BRUMADINHO

No Rio de Janeiro, os manifestantes concentram suas ações na escadaria e entrada do edifício da companhia, no bairro do Botafogo, Zona Sul da cidade. Com lama, cartazes e gritos indignados, os presentes afirmavam o tempo todo se tratar de um crime contra a humanidade e o meio ambiente, além de exigirem punição para os dirigentes da empresa.

Em São Paulo, o ato aconteceu em frente ao edifício sede do escritório de logística da companhia, no bairro do Brooklin Novo, Zona Sul da capital. Não há registros do número de participantes nos dois atos.

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Ato em frente ao escritório da Vale em São Paulo. (Foto: Reprodução/Nação Vegana)

É falsa a notícia de boi resgatado por militares israelenses em Brumadinho; animais continuam presos

Ao longo do dia, uma imagem circula nas redes que mostra um helicóptero com militares israelenses realizando a operação de resgate de um boi em meio à lama com rejeitos da barragem que se rompeu em Brumadinho, na última sexta-feira (25). A notícia é falsa.

FAKE NEWS: ANIMAIS NÃO FORAM ABATIDOS A TIROS

IMAGENS: PROTESTOS EM SP E NO RIO NOS ENDEREÇOS DA VALE

O animal continua no local sem poder ser resgatado devido às condições precárias da área, mas ativistas que estão na região falam em descaso por parte da Vale, denunciando que a empresa tenta impedir com tapumes e portões fechados nas estradas o acesso dos voluntários para resgatar os animais que ainda estão vivos.

LEIA +: VALE É OBRIGADA A RESGATAR ANIMAIS EM BRUMADINHO

A Vale não se pronunciou sobre o assunto até o momento. A protetora dos animais Luisa Mell passou o dia no local e, sem sucesso, tentou o resgate de um touro que está ilhado na região afetada pelos rejeitos.

CASEIRO ARRISCA VIDA PARA SALVAR GALINHAS NA LAMA