O veganismo que celebra o aumento do preço da carne fortalece o ódio de classes | Ecoativismo

Soube que alguns veganos estavam celebrando o aumento do preço da carne, justificando que, assim, as pessoas vão consumir menos animais por conta do alto valor dos produtos. Estão enganados. A desinformação é o sustento da intolerância.

Quando um veganismo politizado não é discutido e construído, ideias e frases prontas absorvem o ódio social promovido pela classe dominante. Celebrar que uma família pobre não vai poder comprar carne no mercado devido ao aumento dos preços é muito insensível e incompatível com as bases do acolhimento de outras lutas.

Sem entender a necessidade de parar de consumir carne pela ética animal, não compactuação da exploração de trabalhadores, saúde humana e preservação do meio ambiente, essa pessoa não mudará seus hábitos de forma efetiva. Ela está se adaptando momentaneamente devido à necessidade imposta pela desigualdade do sistema financeiro.

E claro, a indústria agroalimentar precisa lucrar durante as crises. Com o preço da carne bovina custando mais caro, a procura por frango, porcos e ovos disparou, segundo o G1. Ou seja, as pessoas não vão deixar de comer produtos de origem animal sem uma real conscientização dos inúmeros malefícios. E a indústria não vai deixar de explorar os animais, já que a procura por tais produtos permanece.

Nosso trabalho é promover a conscientização da autonomia alimentar, colocando nas rodas de conversas os motivos que sustentam as mudanças de hábitos da população. É possível se alimentar bem com uma dieta sem ingredientes de origem animal. É preciso mostrar que, especialmente agora, o veganismo é uma solução imediata e efetiva diante do aumento do preço da carne, por exemplo.

É preciso mostrar as injustiças da indústria da carne também para a classe trabalhadora, que adoece e sofre de invalidez precoce diante das longas jornadas e funções repetitivas do corpo humano nas mesas de produção. A militante vegana Ana Mota tem um texto muito bom sobre a exploração dos trabalhadores nesta indústria.

Diálogo! Persista na conversa, não na intolerância e insensibilidade. Politização! Direitos dos animais anda lado a lado com outras lutas.

Imagem: Reprodução/Alexandre Severo

OBS.: No título do meu artigo, me refiro ao ódio de identificação da classe trabalhadora, de uma maneira a aproximar o proletariado que aponta o dedo daqueles que também são “punidos” pelo sistema que beneficia a classe dominante. Me baseei em algumas leituras recentes para isso, como a de um artigo do sociólogo Jessé Souza, que utiliza a expressão como forma de apontar o ódio que sentimos pelo pobre, pelo o que é determinado como inferior. 

Porém, como bem me alertou a querida Taisa Leonardo, percebo que o título pode gerar uma certa confusão entre luta de classes e o estímulo da raiva para construir a revolução contra o sistema. Com o propósito de não gerar confusões a respeito, fica aqui registrada essa observação. Obrigado!

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