O racismo no veganismo é um erro sustentado pelo sistema | Ecoativismo

Quando se tornou presa política, a ativista Angela Davis contou que a carne servida na prisão para ela e as companheiras era repleta de larvas. Ela deixou de se alimentar de carne há época.

O punitivismo burguês caiu como uma luva dentro do capitalismo. Criou-se uma estrutura onde o oprimido não possui escolha, penalizando os já excluídos em uma cadeia de explorações.

A carne apodrecida que Davis e milhares de mulheres negras receberam não foi um acidente. É um erro planejado e que persiste hoje como projeto para alavancar desigualdades e gerar lucros.

Os pedaços das fêmeas exploradas na indústria da carne foram manipulados por uma trabalhadora também explorada pela mesma indústria que explora consumidoras com a ilusão de uma alimentação segura.

Como uma cadeia de consumo pode ser segura quando o seu processo envolve dor, injustiças e mentiras? Como falar de alimentação saudável quando a maioria das pessoas não pode escolher o que comer?

Não é à toa que as prisões estão cheias de pessoas negras. Um projeto construído para manter as rachaduras sociais; os abismos. A herança colonizadora que ninguém pediu, mas que virou regra e se tornou lei. Não teve reparo histórico, teve silenciamento.

O racismo é estrutural. Está presente também no movimento vegano. E com muita força. Se você não vê, lhe falta abrir o olho! Está ao seu lado, nas palavras que usamos, no que nos ensinaram a reproduzir. 

Se é estrutural, é projetado para se manter forte, para ser sustentado e parecer inofensivo para quem não carrega o alvo nas costas. Pessoas brancas diminuem facilmente a dor alheia, mesmo sem perceber.

Se vozes negras pedem para que o movimento deixe de usar “navio negreiro” como referência para o transporte de animais para abate no exterior, existe uma razão. Tem uma dor aí.

Por que não ouvimos o lamento de quem está ao nosso lado? Em Copacabana, ativistas erguem cartazes pedindo empatia com os animais. Mas cadê essa mesma empatia com a dor da companheira negra?

O Brasil não tem museus em todos os estados que falem sobre a escravidão, porque ela ainda não foi superada. E não será enquanto suas raízes permanecerem intocadas.

Leiam e escutem mulheres negras!

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