Reforma da Previdência: Condenamos mulheres negras e idosas ao colapso físico e mental | Ecoativismo

De todas as políticas que o neoliberalismo implementou nos países latinos, as mudanças nos direitos das trabalhadoras são as que mais me machucam. Invisibilizam aquelas que já não são vistas, mesmo sendo muitas.

Segundo estimativa do IPEA, mulheres negras representam 39,1% da população brasileira submetida a relações precárias de trabalho. O IBGE mostra que 52,4% das mulheres negras estão inseridas no trabalho informal, onde não têm carteira de trabalho assinada, remuneração fixa ou férias garantidas.

Esse mesmo grupo está 50% mais suscetível ao desemprego e possui renda média 70,5% menor à das mulheres brancas. Números! Números! Números! Me espanta como a gente passa por tantos dados, mas não os associa aos rostos de quem está vivendo isso. E, certamente, a estatística pega o mesmo ônibus que você.

Durante a ditadura de Pinochet, o Chile aprovou uma reforma da Previdência que deixou o país em estilhaços. A taxa de suicídio de adultos acima de 80 anos é a maior da América Latina hoje. Com a privatização do serviço e redução das aposentadorias, as idosas, que necessitam de mais cuidados e gastos, estão empobrecendo e morrendo como nunca.

O nosso vizinho andino enfrenta protestos com a maior revolta social das últimas décadas. Entre muitas coisas, as pessoas se cansaram dessa fórmula econômica fracassada, que agora será aplicada no Brasil com a versão da reforma previdenciária de Bolsonaro e Guedes, aprovada no Senado. Aqui, as ruas seguem vazias.

Eu tirei esta foto há um tempinho, na volta do serviço. O metrô estava lotado, não sei como consegui mexer o polegar para usar o celular. A senhora espremida no centro também é uma trabalhadora. Não sei o seu nome ou quantas vezes passou por esse aperto, físico e social. Não sei quantas vezes ainda precisará se apertar. Me machuca pensar nisso.

Condenamos mulheres negras e idosas ao colapso físico e mental. Nos jornais, manchetes celebrando essa “conquista social”. Só que o povo não foi chamado para conversar. Quem decide pela gente já tem um pé-de-meia bem generoso para o futuro. Mas que futuro pode ter um povo que não levanta a voz em sua própria terra? Que o eco das ruas chilenas nos inspire.

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