Como falar de educação ambiental com quem tem pressa, fome e medo? | Ecoativismo

Sou cria de professores, acredito na educação como forma de (des)construção. Sou estudante de jornalismo, pois vejo na comunicação popular uma forma de romper com os roteiros das elites, podendo transmitir informações de interesse do povo para o povo.

Sabe o que é de interesse do povo hoje? Não morrer de fome. Ter um teto para colocar as crianças em dias de chuva. Aguentar mais de doze horas de trabalho por dia como entregadora de comida para ganhar por mês menos que 10% do salário do deputado que chama essa exploração de “empreendedorismo”.

Como conversar com quem tem pressa, medo e fome que a política ambiental do governo Bolsonaro afeta diretamente as escolas de comunidades ribeirinhas ameaçadas por mineradoras? É fácil culpar aqueles que, sem escolha, priorizam a sobrevivência da família. Nosso alvo jamais deve ser o oprimido, mas quem causa tanta fome e medo. É preciso enxergar que todas essas desigualdades têm a mesma origem.

Muitas professoras possuem mais de uma renda. Não porque sobra tempo ou disposição, mas por ser necessário. Quantas delas não sofrem com calos nas cordas vocais, perda de audição, Síndrome de Bournout (esgotamento profissional), entre outras consequências de uma profissão não valorizada e perseguida por irresponsáveis do MBL nas salas de aula, alimentando o ódio e a desinformação?

A educação é um dos primeiros alvos de governos neoliberais. Mas não somente ela. A PEC 95, que congelou investimentos por vinte anos, afeta a distribuição de verbas para municípios por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), assim como prejudica o orçamento do Ministério do Meio Ambiente para o combate às mudanças climáticas, que passou de 22 milhões, em 2015, para 7 milhões de reais no último ano. Na Saúde, o desinvestimento no SUS chega a 9,5 bilhões de reais em 2019.

Precisamos enfrentar o maior de todos os problemas, aquele que se alimenta da exploração humana, animal e dos recursos da Terra. Esse sistema foi reprovado e precisa ser superado para que nunca mais uma professora precise trabalhar dobrado para tentar uma vida digna. Para que nenhuma mãe chore novamente pela morte de Ágathas e Marcos Vinícius.

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