O abismo entre periferia e informação é um projeto para manter a exploração animal | Ecoativismo

Os meus primeiros anos de vida foram na periferia de São Paulo. Todo encontro em família era festa, e toda festa era motivo para comer bicho. Churrasco, almoço de Natal com a mesa cheia de carnes, aniversário com cachorro-quente, e por aí vai.

Aos domingos, minha avó me pedia para buscar frango assado na padaria. Não tinha uma vez em que eu olhava para os corpos girando na estufa e não me sentia mal, piorava com o som das facas raspando os espetos. Ainda assim, não fazia a conexão com o que estava colocando no meu prato.

A indústria agroalimentar sabe como controlar os pobres. O frango é uma das carnes mais baratas, vendida em mercadinhos da quebrada e redes de supermercados no Morumbi.

Cresci acreditando que carne é mistura e que não dava para viver sem. Quando o dinheiro da semana acabava, ficávamos no pão com ovo frito ou salsicha mesmo. Mas por que tudo tinha que ter alguma coisa animal?

A obsessão pela carne e derivados de animais estava presente também na merenda escolar. Era macarrão com salsicha, arroz com frango picado, carne moída com batatas, e mais embutidos, lácteos e processados.

Se o Estado oferece produtos com alto potencial cancerígeno e associados a outras doenças diversas para crianças, que modelo é esperado dentro de casa?

O agronegócio recebe muitos subsídios dos governos para a manutenção de sua ganância. A indústria leiteira, inclusive, alicia nutricionistas e prefeituras para a divulgação de projetos favoráveis ao consumo de leite nas escolas.

Na casa da minha avó, a TV ficava ligada direto, a gente absorvia o que a indústria cultural mandava. Eram pelo menos dois comerciais durante o Fantástico sobre produtos de origem animal. Somos bombardeados por todos os lados.

Existe um abismo entre periferia e informação. Não posso culpar a minha avó ou os meus pais, sendo que eles também cresceram da mesma forma. E o que eu podia fazer sem dinheiro, autonomia e conhecimento naquela época?

O problema nunca será o indivíduo quando é a estrutura do sistema que está errada. A solução nunca virá de quem explora animais humanos e não humanos para se manter poderoso. Guardem isso e passem para as suas crianças.

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