Quem marca o tempo dos oprimidos enquanto esperam por uma mudança sua? | Ecoativismo

Está circulando um texto em que nele diz que não é preciso se denominar vegana (como se o problema fosse o rótulo), que não é preciso comer “tanta” carne (mas pode) e que não é preciso pressa para “largar o osso da costela”.

Do lado de cá, dos privilegiados, a gente pode escolher. A gente pode se preocupar com imagem social e com os desejos mesquinhos do paladar.

Coitados daqueles que estão do lado de lá e não podem se dar ao luxo de tudo isso, pois passam o tempo se ocupando com a dor, o lamento da indiferença e a negação ao direito de viver livremente.

Então não fale em tempo com quem já perdeu uma vida inteira esperando por uma mudança coletiva. Não passe a mão na cabeça para o conforto moral de alguém. Os desejos humanos não devem ficar em primeiro lugar enquanto alguém pede socorro.

O especismo é cruel. Dói. Mata. Explora animais. Mas também explora humanos. Separa mães de seus bebês. Violenta nossas terras. Envenena nossos corpos. É injusto com todas e todos.

O texto fala ainda que não precisamos nos posicionar politicamente. Só que veganismo é um ato político. Toda luta é um posicionamento. Se você está consciente dessas injustiças, não é possível se manter isenta. É preciso mobilização e construção de uma revolução contra quem realmente alimenta tudo isso.

O especismo é parte fundamental do capital. Sem a sua existência, esse sistema perde força, porque a opressão depende do medo, da desinformação e da ganância para existir.

Ele se mantém forte porque tem gente grande que incentiva. Gente que pode escolher parar de causar sofrimento, mas coloca prazeres e ganância à frente de vidas. Gente que manipula e espalha medo para não promover as mudanças necessárias nas bases sociais.

Existem tantas justificativas para se tornar vegana hoje mesmo. Os animais, a ética, o clima, os direitos sociais, a saúde física e mental… Mas nenhuma é válida enquanto o paladar gritar mais alto.

Você pode se libertar e libertar muitos outros ao mesmo tempo. É preciso ser vegana e entender que as lutas contra as opressões desse sistema devem ser o objetivo comum. Dietas não estão à frente de direitos.

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