Por que estamos envenenando nossas crianças? | Ecoativismo

Antes de levar um refogado de legumes à boca, você precisa se perguntar: Esse vegetal tem veneno ou é orgânico? É proveniente da agricultura familiar ou de empresas que dizimam pequenos produtores? Sua produção gera quais impactos socioambientais? Ele respeita a sazonalidade de sua própria natureza?

Bom, eu não tenho controle sobre todos os processos de origem do vegetal que consumo, mas tenho o direito de saber deles. Em apenas 49 dias do governo JB, 54 novos agrotóxicos foram liberados para a lavoura. Mais de um veneno por dia este ano. O Brasil tem 2.123 licenciamentos de agrotóxicos autorizados e em uso, 14 deles proibidos na União Europeia por possuírem relação com cânceres e outras doenças.

Autonomia alimentar gera consciência de sentidos. Altera a versão simplista que nos foi imposta sobre os alimentos, onde não temos contato com suas origens, consequências e pluralidades. Como quase tudo na vida, a cadeia alimentícia tem seus pontos positivos e outros nem tão assim. Pontos que devem ser debatidos com cuidado, especialmente quando o alimento é direcionado às crianças.

Retirar os agrotóxicos dos alimentos deveria ser consenso, sobre tudo na merenda escolar. A criança, em estado de formação física e intelectual, ainda não sabe sobre os efeitos dos venenos agrícolas na saúde humana e como podem afetar o seu crescimento. Os pais também desconhecem o assunto, porque não existe uma diretriz curricular do ensino público que debata estudos e indicativos dos riscos dos agrotóxicos na alimentação de crianças. Como eles podem saber se o Estado não oferece um debate a respeito?

Entre 2007 e 2014, crianças e adolescentes representaram 25% dos casos de intoxicação por agrotóxicos no país. Isso é assustador e criminoso. A maioria, crianças que residem em áreas rurais, onde estão mais próximas da manipulação dos venenos nas lavouras e consomem mais agrotóxicos por unidade de alimento que moradores das grandes cidades, segundo estudo divulgado pela USP.

Não é de interesse das políticas públicas enfrentar o Agronegócio que lucra muito com a intoxicação de biomas, alimentos e seres vivos. Mas precisamos debater, precisamos falar com pais e crianças para que eles adquiram independência da cultura agro, que exerce forte opressão em nossas formações, na cozinha e no campo.

As escolas precisam incentivar alimentos orgânicos na merenda, colocar na formação básica o manejo com a terra, mostrar a importância da agroecologia e das hortas comunitárias, além de aulas de ciências da natureza com abertura para tais temas.

Especialmente agora, com Ministros do Meio Ambiente e da Educação que mentem até no currículo Lattes, duvido que seja possível qualquer mudança progressista nesse caminho. Mas sem ações que questionem as escolhas do atual governo, mais crianças serão envenenadas e terão o futuro comprometido, ou até mesmo não chegarão à fase adulta.

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