Queijo de castanha e o veganismo de consumo | Ecoativismo

O queijo de castanha de caju feito em casa é resultado de um punhado de reflexões que me renderam novas perspectivas sobre autonomia alimentar, apropriação de causa e como isso se reflete também para outras consciências e lutas. Até entendo quando falam sobre “preço justo” ao quantificar monetariamente um produto, mas não deixa de ser injusto que o acesso ao queijo vegetal em supermercados seja restrito a pessoas com poder aquisitivo superior.

Quando um alimento mais saudável e com menos danos ao ecossistema é impedido de chegar à mesa de pessoas de baixa renda, isso afasta o discurso de que a alimentação saudável e consciente é um direito de todos. Aí vem a roda capitalista atordoar os excluídos a se alimentarem com o que resta de alternativa: comidas mais baratas, porém com menos nutrientes, repletas de explorações e sem questionamentos e conscientização socioambiental.

O veganismo de consumo não se preocupa em dar oportunidade para o subúrbio abraçar a causa. E isso não significa que o movimento de consciência alimentar esteja restrito à elite, mas as informações e conversas sobre o tema ainda estão. Quando deixamos que empresas assumam a tarefa de democratização e pseudoativismo, a gente entrega as pautas animalistas e socioambientais para que elas assumam controle e tomem direcionamentos que SEMPRE visam aumento monetário. Afinal, abraçar mais um grupo de consumo é mais dinheiro em caixa, né? A vaca explorada, a trabalhadora da indústria leiteira com problemas de saúde e os danos ambientais não entram nessa conta.

Ter mais opções em supermercado é ótimo, mas de nada serve para a causa se elas são direcionadas a uma determinada bolha econômica, que faz com que as pessoas de fora queiram furá-la, mas ainda com a intenção de consumo, deixando de lado todos os questionamentos que a causa vegana não deveria esquecer jamais. Libertação animal é também libertação humana. Veganismo acontece na medida do possível e do praticável, mas isso não pode ser justificativa para não exercer a luta política e questionar desigualdades existentes em causas e em sistemas que foram projetados para se manterem assim.

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