A morte do Rio Paraopeba: “Já tem muitos peixes chegando à margem pedindo socorro”

Os povos indígenas que habitam a região do rio Paraopeba, em São Joaquim de Bicas, atingido pelo mar de rejeitos da Vale, estão preocupados com a saúde das águas e lutam por suas terras ameaçadas.

O cacique da reserva indígena Naô Xohâ, Pataxó Hã-Hã-Hãe, denuncia que os animais do rio já estão morrendo pela contaminação de materiais rejeitados da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, após o rompimento da barragem na sexta-feira (25).

Habitantes da aldeia indígena Naô Xohâ observam o Rio Paraopeba, atingido pelos rejeitos da Vale. (Foto: Lucas Hallel)

A aldeia está localizada a 26 Km da barragem que se rompeu e as informações inciais falavam sobre a remoção dos habitantes da aldeia, mas eles insistem em ficar para proteger os animais, o rio e suas terras devastadas.

“A água ontem estava clara, mas hoje está vermelha escura. Já tem um bocado de peixe morto, boiando, com a boca pra fora pedindo socorro”, disse angustiado Pataxó Hã-Hã-Hãe.

Os povos da região são historicamente ameaçados pela indústria da mineração e pelas fazendas de gado. Movimentos sociais, como o MST, que possui um acampamento na região, somam esforços em proteção à aldeia Naô Xahâ.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, disse que amostras foram colhidas em 47 pontos do Rio Paraopeba para atestar a saúde das águas. O resultado deve ser divulgado na próxima quarta-feira (30).

*Fotos cedidas gentilmente por Lucas Hallel, que esteve em São Joaquim de Bicas ao lado dos povos de Naô Xohâ.

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