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Por que só agora a Versace quer deixar de explorar a pele de animais?

O mundo da moda, sempre tão luxuoso visto por fora, esconde bastidores de crueldade e pouco arrependimento. Com a verdade exposta, o consumo consciente ganha destaque nas passarelas e vitrines.

Em 2016, a ONG PETA realizou intervenções em desfile da Versace contra o uso de peles de animais, como as pequenas Martas. (Foto: Reprodução/Instagram Lephoton)

“Pele? Estou fora disso. Eu não quero matar animais para fazer moda. Não parece certo”, disse um dos nomes mais poderosos da lucrativa indústria da moda em entrevista à revista 1843. Donatella Versace não anunciou quando a sua influente marca retirará do catálogo os produtos com pelagens animais ainda disponíveis à venda no seu site e nas lojas.

A grife, por décadas, foi sinônimo do uso de peles em peças que custavam verdadeiras fortunas. A exploração de animais para a indústria da moda deixou de ter marcas importantes como financiadoras nos últimos anos, mas ainda permanece forte e lucrativa, mesmo com protestos de ativistas pelos direitos dos animais todos os anos nas principais semanas de moda do planeta.

Desde chinchilas e martas até raposas e coiotes, diversos animais são usados pela indústria na produção de peças que vão de pantufas a enormes (e caros) casacos. A forma cruel como são mortos e depois escalpelados pode não passar pelo imaginário dos consumidores destes produtos. Os animais são mortos a pauladas, estrangulados ou até mesmo eletrocutados e, após agonizarem com intensa dor, são escalpelados para que suas peles sejam extraídas. Alguns têm a pele retirada ainda vivos.

Para criar um casaco de pele de animal são necessárias, geralmente, não apenas um animal, mas dezenas deles. Um casaco tamanho médio requer que 50 martas (o animal que ilustra esta matéria) sejam assassinadas para a peça ser vendida a preços exorbitantes por grifes que preferem não utilizar fibras sintéticas tão macias e bonitas quanta a pelagem deste animais, e dão espaço para um produto marcado por sangue e maldade.

Ativistas dos direitos animais que defendem o fim da prática na indústria da moda costumam serem chamados de radicais ou terroristas, mas e como chamar aqueles que conseguem matar um pequeno animal, como uma chinchila ou um castor, a pauladas para produzir algo totalmente dispensável e fútil? E como nomear então quem continua apoiando e comprando peças com pelagens animais conscientes da dor que eles passam para alimentar o ego?

O público, com a expansão da internet, consegue ter acesso à imagens e vídeos do processo de morte e escalpelamento dos animais para a indústria da moda. O impacto é forte para quem nunca imaginou como os animais se transformam em um cachecol. Mas serve para nos colocar no lugar deles, mesmo que minimamente. Serve para aumentar a consciência e se juntar aos “terroristas” por um mundo livre de crueldade na moda.

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